quinta-feira, 2 de junho de 2011

Diários de uma anoréctica parte 2

Toda a família olha espantada para Tânia, mas D. Rita não tem outra opção e vai à cozinha buscar um pouco de sopa e salada.
 -Menos –pediu Tânia olhando para o prato agora cheio de sopa e salada e diz baixinho:
 - Scrapsy, vem cá!
A cadela obediente da raça chiuaua, branca, pequena e muito comilona, corre para junto da dona com o sininho da coleira de ouro puro com a morada e o nome encrostado a tilintar sobre o seu vestidinho rosa rendado e saltou para o seu colo, lambeu o queixo de Tânia, que lhe chegou o prato.
 Scrapsy fez cara torta por causa do vinagre que estava na salada e do sal em demasia na sopa, mas continuou a comer, parando de vez em quando para beber água do copo que Tânia lhe chegava quando ele levantava a cabeça do prato.
 Satisfeita, vai para o sofá, mas não sem antes ir ao lixo da cozinha buscar ossos e o seu cobertor. Tânia também se levantou com o estômago a roncar, mas ela não ligou e foi direita ao ginásio privado do pai. Subiu para a bicicleta fixa e pedalou até ás três da manhã sem que ninguém o soube-se. Estafada, arrastou-se até á casa de banho e abriu o chuveiro, secou-se e deitou-se na sua cama depois de se ter servido da parede para subir as escadas. 
  

Diários de uma anoréctica parte 1

Tânia e Sandra acabam de sair do carro da mãe, passam o cartão e entram na escola da cidade de Esmeraldas.
Samantha dirige-se ao hospital, uma operação espera-a.
Não muito longe dali, Leonardo entra na sua empresa de informática, tinha muito trabalho pela frente.
Entretanto, na escola, um grupo de raparigas gozava com a Tânia:
– Gorda!
-Hipopótamo!
-Não conseguimos respirar!
-Sim, estás a ocupar muito espaço.
ah! ah! ah! ah! ah! ah! ah! ah! ah! ah! ah! ah! ah! ah! ah! ah! ah! ah! ah! ah! ah! ah! ah! 
 Sandra tentou aproximar-se da irmã para a consolar, mas as raparigas fizeram uma roda em torno de Tânia não deixando aproximar ninguém, até que esta conseguiu escapulir-se para a casa de banho com lágrimas a emergirem nos seus belos olhos cor de safira.
  Passado um pouco uma voz perguntou a medo:
 -Tânia… estás bem? – Perguntou Sandra, a sua irmã mais nova.
 A Tânia tentou desesperadamente limpar as lágrimas com um pedaço de papel higiénico, mas a sua cara ficou vermelha e inchada.
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 Era hora de jantar, D. Rita, a ama a tempo inteiro contratada por Samantha, servia o jantar preferido de Tânia e Sandra: piza italiana caseira de fiambre, azeitonas e cogumelos, com o queijo derretido, ainda a ferver acompanhada de pães de alho com queijo também  derretido.
 A Tânia olhou para o seu prato, mais cheio do que qualquer outro, excepto o de Leonardo que gostava mais de uma sopa da pedra e uma salada com maionese light.
 Volta a olhar e as vozes do grupo que gozava com ela ecoaram-lhe nos ouvidos e, inesperadamente, diz:
 -D. Rita, ainda sobrou alguma sopa? Estou de dieta.
 E nesse preciso momento, exactamente nesse momento, Tânia torna-se Anoréctica!